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Um dia de não fazer nada mesmo (17º dia)

17º dia - 14/04/2022

Os dias que se seguiriam ao longo do feriado da semana santa não contariam com a ajuda da Janaína na casa paroquial e estávamos por nossa conta. Definitivamente eu escolhi não sair sob aquele calor implacável. Foi uma mudança e tanto no clima desde que cheguei porque de fato as chuvas estavam ficando mais raras e pontuais. Diante da importância da data, os padres tinham muitas demandas e eu decidi passar o dia escrevendo, lendo e pensando na organização do retorno ao Rio de Janeiro. Ficou combinado que iríamos almoçar na casa do casal que nos acolheu no primeiro sábado que estive por aqui, lá onde fomos com a Martinha. Para o dia seguinte havia uma combinação de almoçarmos no sítio da Elisângela localizado em Mata Pasto, a caminho de Boa Hora, bairro mais ao norte de onde estávamos.

Aproveitei para fazer o check-in que já estava liberado. A previsão de chegada em Campinas, onde eu faria conexão, estava assinalada para 18 h 30 min. O ocaso aconteceria em torno de 18 h. Sendo assim, no primeiro voo, marquei a poltrona do lado direito porque viajando para o sul eu teria o espetáculo do poente sem poluição visual. Sem maiores critérios, sempre assinalo a poltrona do lado esquerdo por razões ideológicas. É importante saber a origem dos termos esquerda e direita no contexto histórico-político para que não se passe vergonha acusando pessoas (é muito feio também). Normalmente escolho as últimas poltronas, em geral as três últimas, em função da disponibilidade. Tento reduzir ao máximo as vizinhanças durante um voo e as razões para isso são as mais diversas e certamente não importam.

"O medo da morte é pior que a própria morte." (Provérbio inglês). Também já ouvi o ator Steven Seagal pronunciando a máxima num de seus filmes truculentos (redundância). Sim, os momentos que antecipam o voo são inundados pelo meu pânico e que simplesmente não aparece no momento entusiasmado da compra da passagem. Parece que o Google lê pensamentos além de nos escutar o tempo todo. Daí começam a aparecer notícias inconvenientes, daquelas que eu não precisaria saber antes de entrar num avião e por aí vai. Não fosse o tempo que eu perderia das férias, eu teria vindo de ônibus para Teresina.

Fomos almoçar e contamos com a companhia do Padre Erlan. A casa ficava próxima, no bairro, e mesmo assim fomos de carro porque não havia condições de caminhar sob o sol. Como de costume, conversas antes, durante e depois das refeições. Dali fomos tomar um sorvete e retornamos para a casa paroquial. O Padre Alexandre iria para a comunidade Boa Hora celebrar no final da tarde e provavelmente ficaria para jantar.

Combinei de lanchar com Rosália no Espaço Família porque além de não ter opções em casa (que eu quisesse preparar), seria a última oportunidade de sair à noite. Na sexta-feira santa nada abriria mesmo.

Não fiz mais do que dois registros fotográficos, nem mesmo a cerveja da noite foi fotografada. Um dia de não fazer nada mesmo.

Na pracinha: o por do sol.

No mesmo instante: a lua surgindo.

Considerando as dúvidas do Padre Alexandre sobre a entrada correta lá em Mata Pasto, deixei combinado com Rosália para que fôssemos no mesmo horário e assim a seguiríamos de carro para o almoço na casa de sua irmã, Elisângela.

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