16º dia - 13/04/2022
Eram 3 da madrugada quando abri os olhos e vi que ainda tinha 30 minutos antes do despertador se manifestar. Obviamente não dormi mais. Detesto acordar com o susto do alarme e presumo que meu relógio interno me desperte sempre antes. Enrolei até 3 h 29 min e desativei o alarme. Me levantei, organizei tudo e por volta de 4 h 15 min fechei a porta do quarto do hotel. Me despedi do Sr. Moura e me coloquei no caminho para a rodoviária. Céu limpo e ainda bastante escuro, Vênus me acompanhou por todo o trajeto. O que poderia dar errado? O ônibus só tinha que estar lá.
Um pouco antes das 4 h 40 min o ônibus encostou e partimos às 4 h 50 min com pouquíssimos passageiros em direção a Crateús. Éramos guiados pelo mesmo motorista da vinda e o mesmo cobrador que felizmente me reconheceu e tinha os dados da minha passagem atualizada. Eu já sabia que lá haveria bem mais passageiros para o embarque. Minha poltrona do lado esquerdo e na frente me permitiria ver o nascer do sol, uma vez que o trecho inicial da viagem apontava para o sul.
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Assim foi o início do quase pesadelo da viagem. |
Já em Crateús, uma senhora idosa acompanhada de seu marido não encontrava a poltrona número 5. Ela se dirigiu a mim de uma forma que deve ser comum na região: "Ôhhh seu Zé, onde fica a poltrona 5?" Preferi responder sem pensar no tratamento a mim dirigido e eles se acomodaram. Demais passageiros embarcados e um solavanco na hora de sair. O cobrador apareceu depois de um tempo dizendo que havia um problema na boca do lobo e que ele ia reparar ligeirinho. Fiz de conta que entendi e em menos de 10 min estávamos saindo para enguiçar novamente a 20 metros da saída da rodoviária. Mais uma vez a tentativa de reparo e nada feito. Fomos avisados que seria necessário aguardar a vinda de um mecânico para dar um jeito. Podem imaginar a sensação do tipo: vou passar o dia em Crateús. Alguns passageiros começaram a se exaltar porque perderiam ônibus em outras cidades e, entre mortos e feridos saímos dali cerca de 30 min depois.
Ao meu lado sentou-se uma senhora que me pareceu muito educada, principalmente pela forma silenciosa com que lidava com o celular. A viagem foi prosseguindo com entradas e saídas de passageiros. A subida da serra chegou a me lembrar a de Petrópolis por causa do nevoeiro.
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| A altitude parece chegar a mais de 700 metros. |
A rodoviária de Castelo do Piauí fica na beira da estrada junto ao pórtico. Eram 9 h 30 da manhã e o ônibus reduzia iniciando as manobras para estacionar quando o cobrador, que para mim estava se tornando uma espécie de anjo da morte, anunciou: "Pessoal, tenho péssimas notícias..." No município vizinho, Juazeiro do Piauí, onde seria nossa próxima passagem, havia uma barreira na rodovia com fogo na pista e tudo mais. Era um protesto da população local que estava sem luz há dias e exigiam que a companhia de eletricidade cumprisse seu papel. Seria então mais sensato que ficássemos ali na rodoviária do que parados na estrada. O prognóstico era bem pessimista porque alguns ônibus que estavam ali estacionados aguardavam desde 5 da manhã. Nada mais a fazer a não ser descer do ônibus e esperar. Aproveitei para tomar um café fresco (isso mesmo) e comer um pastel delicioso pois afinal eu estava em jejum. Em seguida usei o banheiro e em menos de 15 minutos após o desembarque estávamos sendo convocados a retornar para o ônibus porque a estrada estava liberada. Milagre? Só não foi dito que o trânsito estava em meia pista.
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| No fim das contas, ficamos parados na rodovia um tempo considerável. |
A viagem recomeçou e o motorista parecia querer tirar a diferença do atraso e meteu o pé. Eu tinha combinado com o Padre Alexandre de chegar para o almoço e ele me encontraria na Ladeira do Uruguai, o terminal de ônibus na saída da cidade. Combinei e descombinei o almoço algumas vezes em função das imprevisibilidades. No decorrer do trajeto interagi um pouco com a minha vizinha de poltrona, a Laura, uma professora de Física e Matemática e que ficou contente ao saber que eu era da área. Ela ia para o Maranhão e perderia a conexão em Teresina por causa dos atrasos. Falamos um pouco sobre nossos cotidianos escolares e planos para a aposentadoria (nunca imaginei que teria esse tipo de conversa um dia).
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| A vegetação típica sempre exuberante. |
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| Mais uma área de extração de quartzito em Juazeiro do Piauí. |
Para a minha supresa consegui chegar no local combinado um pouco antes de 12 h 50 min e o padre já estava a caminho. O sol do sertão parecia ter me acompanhado. Era simplesmente indescritível a permanência no acostamento da rodovia sob aquele calor. Não tardou e já estávamos a caminho do almoço. Fomos no self-service do supermercado que estávamos acostumados a frequentar.
A bizarrice que vou comentar a seguir me chamou atenção pelo trabalho e o tempo que um sujeito teve para que, enquanto compunha com sua maquininha de churros, escrevesse os dizeres em tamanho XXG com mais ou menos 30 cm x 60 cm na porta de uma das cabines do banheiro masculino do supermercado:
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| Será que ele não levou o celular para se distrair? |
Após o almoço fomos verificar o nível do óleo do carro e um pouco antes de chegar em casa, paramos para um açaí. Não havia muito mais o que fazer no restante do dia frente ao calor impiedoso. Simplesmente apaguei até o início da noite. Mais tarde nos encontramos com Rosália e sua irmã Elisângela para fechar a noite com uma pizza e...
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| ... eu precisava! |
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