Seguidores

Último dia, primeiro café (19º dia)

19º dia - 16/04/2022

O Padre Alexandre foi para a corrida matinal logo cedo e depois de 18 km não conseguiu chegar a tempo de nos encontrar e segui com Rosália para o café da manhã. No caminho, bem perto de casa, eis que ela "descobre" uma padaria que eu não tinha notado nas inúmeras vezes que passei pela avenida que chega no bairro vindo do centro: a F. Sousa Panificadora. Não consegui perceber a presença dela ali, nem o padre se deu conta e Rosália, vendo meus inúmeros apelos para saber de um lugar que servisse café fresco, cospe grosso de verdade, simplesmente me sonegou as informações. Disse que eu não perguntei diretamente! Vou deixar quieto.

Uma visão do paraíso a poucas horas de ir embora.

Tem mais: ar condicionado, inúmeros pratos típicos (para quem aguenta encarar logo cedo) como panelada, caldo, sopa, arroz, diferentes pães recheados e por aí vai. O atendimento é primoroso. Outro detalhe importante: não vi as moscas!

Perguntei se serviam almoço e desisti de acompanhar o padre no encontro lá em Boa Hora. Preferi não arriscar pelo possível tipo de comida (temperos diferentes antes de viajar) e também pelo possível avançar da hora. Rosália se comprometeu a me acompanhar gentilmente no almoço na padaria descoberta!

Retornei do café da manhã e finalizei as últimas arrumações para que após o almoço só me restasse um banho e fechar a mochila. Rosália me encontrou em casa um pouco depois das 11 da manhã e me proporcionou mais uma voltinha de despedida da cidade de Teresina.

Não podia deixar de registrar este encontro inusitado na pracinha na frente da casa.
Lindos animais para uns, parentes para outros. Tenhamos piedade dos jegues.

O que tinha de mais próximo sem o risco de atraso para o aeroporto era o encontro das águas dos rios Poty e Parnaíba. Os níveis estavam baixando e o lugar estava menos tumultuado do que na primeira vez que estivemos por lá.

A velocidade das águas impressiona.

Muitas nuvens e trovoadas se formando e era possível ver o temporal que descia lá em Boa Hora. Tantos dias para chover e os temporais tinham que se formar poucas horas antes da decolagem. Por quê? Ainda no finalzinho da estada em Teresina, consegui fazer este vídeo um pouco antes de sair: a borboleta!

Vejam o calibre dessas nuvens.

Fui deixado em casa, um banho rápido e o Padre Alexandre veio me trouxe ao aeroporto de onde escrevo essas linhas e iniciando aquele processo onde de tempos em tempos beliscamos a cueca.

Estou sendo chamado para o embarque e completarei essa postagem na conexão em Campinas.

...

Já em Campinas, curto a paz do aeroporto antes do final de um feriado onde a maioria prefere não viajar. Presumo o movimento que estará amanhã. Um aviso de apertar os cintos foi o suficiente para me fazer secar a língua durante o voo, ainda que por uma momento apenas. A parte de trás do avião estava bem vazia e ninguém veio ao meu lado. Duas fileiras na frente, um menino perguntava pela disponibilidade de vídeo porque as telas estavam todas apagadas. Eu não precisava ter ouvido a resposta: a aeronave era novíssima e ainda não tinha atualizado os sistemas. Será que os demais sistemas essenciais ao voo estavam? Aí eu viajo na maionese e começo a fazer contas de quanto tempo ainda tenho. De qualquer forma as nuvens se dispersaram e a decolagem foi tranquila. Registrei algumas imagens desde a decolagem até o pouso.

...

A primeira vez que escrevi um diário de viagem foi em entre dezembro de 2015 e janeiro de 2016 quando estive na Amazônia. A escrita, tosca e despretenciosa acabou se transformando num trabalho de pesquisa e me permitiu não apenas votar ao encontro dos ribeirinhos como também viver um tempo por lá. Minha vida foi transformada, mesmo depois dos 50 anos! Desde essa experiência fiz inúmeras outras viagens e em nenhuma delas fiz registros senão aqueles fotográficos protocolares. Por alguma razão me senti compelido a aprender e a utilizar este blog. Foi muito estimulante saber que foi acompanhado por algumas pessoas que tiveram o carinho de me sinalizar a companhia.

Os relatos também me ajudaram a explorar o desconhecido de uma forma mais respeitosa e didática porque afinal estamos lidando com gente e eu queria compartilhar minhas impressões com mais gente, estimular a experiência humana da existência como tão bem me sinalizou a psicanalista Flávia Albuquerque: "Exista Rogério!!!"

Estou estimulado a compartilhar outras experiências aqui. Claro que já tenho outra aventura em mente que há tempos quero colocar em prática. Se eu conseguir, na próxima oportunidade em que um final de semana prolongado me permitir viajar, abrirei mais uma sequência de relatos.

Obrigado aos que prosseguem existindo comigo na aventura humana, num mundo cada vez mais próximo da luta global pela sobrevivência do que da verdadeira paz.

Que venha a ponte aérea Viracopos - Santos Dumont sem solavancos e como prova da minha coragem, finalizo esses relatos antes de pousar no Rio de Janeiro.

Comentários

Postagens mais visitadas