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O sol nasce pra todos... e até para mim (8º dia)

8º dia - 05/04/2022

Presumindo que não teria muitas outras chances de ver o sol por aqui neste curto espaço de tempo, me coloquei a ver o crepúsculo da manhã. O jacaré ainda estava em seus primeiros movimentos, me cumprimentou e questionou se eu já estava trabalhando... sim, desde antes das 5 da manhã. Olhei na previsão do tempo o horário do nascente e me coloquei a caminho da orla. Hotel na beira da praia, nas margens da avenida litorânea e o que poderia ser complicado?


O acesso até a praia não é trivial porque temos que passar por vegetação de restinga, alagados e conviver com mais construções feias, abandonadas e em locais que no meu modo de ver, jamais poderiam abrigar aqueles imóveis. As edificações abandonadas se multiplicam na avenida litorânea. Não sei se é consequência da diminuição do movimento no período mais intenso da pandemia ou se a natureza está fazendo o dever de casa. Aquelas que são habitadas nas proximidades da orla, têm seus quintais alagados em grande parte, indicando a forma e o local inapropriado em que foram construídas com veemente interferência negativa no meio ambiente.


Valeu a pena a gincana até chegar na beira.


No caminho, muitos quero-queros fazendo alarde da minha presença. Possivelmente eu me aproximava de seus ninhos. Chegando na água me admirei com a natureza e com uma sequência de moinhos eólicos em pleno funcionamento. A beleza de tudo insistia em contrastar com a situação de desarmonia promovida pela ação humana. Nós do sudeste sabemos bem como é isso: Niterói e Rio de Janeiro estão repletos de áreas que sofreram e sofrem com as mesmas agressões num estágio bem mais avançado de destruição. Depois da seção de fotos resolvi retornar por outro caminho onde eu avisei um gavião, logo depois uma coruja e finalmente outro ninho de quero-queros. Dessa vez eu penso que corri perigo mesmo porque eles decolaram e começaram voar em torno de mim enquanto gritavam. Eles voavam alto mas o intruso ali era eu, sem a menor sombra de dúvidas. Eu sei que eles atacam quando se sentem vulneráveis e tratei de dar meia volta. Quase de volta ao hotel avistei um ave que não conhecia e consegui descobrir na internet do que se tratava. Era preta com o peito vermelho e conhecida como surucuá-de-barriga-vermelha. Como fiz vários registros fotográficos e penso que não há espaço aqui, deixo um link de acesso onde também apareço com o Padre Alexandre no nosso rápido mergulho antes da chuva: mais fotos.

Na conversa do café da manhã, antes da praia, eu contava sobre a minha incursão, geografia local, as aves e os moinhos eólicos. O padre questionou sobre a validade ecológica dos moinhos e eu me mostrei ciente de suas limitações e possíveis problemas ao meio ambiente mas ele levantou mais um que eu não conhecia: a interferência nos lençóis freáticos sob as dunas, cuja descrição de forma razoavelmente clara encontra-se no artigo Os impactos ambientais e sociais da produção de energia eólica. Vale uma conferida.

Depois da praia e mais conversas sobre "todas as questões do mundo", uma orgulho na piscina e um tempo de trabalho antes do almoço que vai acontecer em Parnaíba, município vizinho onde praticamente não percebemos a chegada a não ser pelas placas. A propósito, desde ontem assumi a direção do carro. Algo que já havia notado em Teresina e percebi por aqui também: parece regra que as motos só ultrapassem pela direita: não estamos em Londres!

Partimos para Parnaíba e depois de algumas voltas pelo centro, que guarda uma memória histórica quase idílica na parte onde as casa ainda seguem preservadas, encontramos um local para o almoço. Dali, atravessamos a ponte sobre o rio Parnaíba e seguimos para Pedra do Sal, uma paria que fica no meio do delta e tem um farol cercado por uma concentração de pedras e no caminho, carnaúbas e moinhos eólicos.

O lugar é visivelmente turístico e chegamos numa dia de pouco movimento. Poucas pessoas ocupando as mesas dos quiosques justapostos naquela bonda de praia praticamente deserta. Um sol de rachar o crânio: as previsões de chuva para todo o dia falharam. Tivemos apenas um momento de chuva.

Lugar para ficar e esquecer-se de si.

Difícil escolher uma foto e tal como fiz anteriormente e talvez passe a ser mais frequente, colocarei um link para mais fotos com parte do caminho até Pedra do Sal. Vocês podem acessar clicando aqui!

Não fomos ao encontro das águas do rio com o mar que ficava mais adiante. A logística não estava muito favorável, o calor muito forte e resolvemos retornar em peregrinação por um café. Um café, simples e fresco para saciar um paladar. Sabendo da existência de um shopping, apostamos que lá haveria ao menos um lugar onde encontraríamos o café. Já na saída quase imperceptível da cidade paramos no shopping que felizmente não era do tipo megalomaníaco e rapidamente, ainda que eu estivesse temeroso com um possível insucesso, encontramos a cafeteria. Um expresso duplo para barbarizar de uma vez.

Dali retornamos para o hotel pois tínhamos trabalhos a terminar. Com o avançar;car da noite fomos ao centro comprar um lanche para comer na área livre do saguão do hotel desfrutando do vento que soprava do mar. No dia seguinte sairíamos cedo para Teresina. Avancei mais um pouco no quase interminável trabalho. Certo que acordaria de madrugada para finalizar de uma vez por todas. 



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