Mesmo com tantas nuvens a estrela insistiu em brilhar (3º dia)
3º dia - 31/03/2022
Ao acordar de madrugada, ainda sem a intenção de levantar, me deparei com uma notícia trágica que fora enviada pouco depois da primeira hora e por mensagem de texto. Uma amicíssima do tempo da faculdade (nos conhecemos em 1984) me participava do falecimento de seu filho de 34 anos. Como ela mesma relatou na mensagem, “Oi Rogério. Hoje o meu filho virou uma estrelinha no céu." A forma como a mensagem foi colocada já diz tudo sobre o irrevogável sentimento maternal. Um infarto fulminante que não deu chance nem ao SAMU de fazer qualquer tipo de intervenção, inverteu a ordem das coisas e levou o filho único de Silvinha com quem ela partilhava a vida. Viviam os dois em São Paulo - Capital. Que impotência não poder estalar os dedos e estar imediatamente ao lado dela.
Os pensamentos e reflexões recorrentes sobre o acontecido ficariam me orbitando o resto do dia e ainda por um bom tempo. Sem mais detalhes sobre o ocorrido. Não importam mais. Sêneca, em seu ensaio Sobre a brevidade da vida, nos convida a refletir sobre o que realmente importa. Definitivamente não temos tempo a perder: só temos o agora e portanto devemos desfrutá-lo como se fosse o último suspiro. Precisamos nos livrar da necessidade de ter razão e aprender a desprezar o mal. Falando em desprezo:
Eu vou dar o meu desprezo
Pra você que me ensinou
Que a tristeza é uma maneira
Da gente se salvar depois
(Cazuza e Gil)
O café da manhã foi iniciado sem a presença do Padre Alexandre que estava fazendo sua corrida matinal. Ele se juntou a nós a tempo de esticarmos a conversa e ficou acertado que na sexta, dia 1° de abril faríamos uma incursão na área mais central da cidade pois ainda não tenho a menor ideia de como seja a Teresina dos cartões postais. Ele iria atender confissões e eu aproveitaria o tempo para explorar os arredores.
A paróquia, a algumas dezenas de metros da casa, iria abrigar a reunião dos padres que no final da manhã viriam almoçar. Me coloquei como auxiliar de cozinha e apesar da apreensão da Janaína com o tempo e qualidade da comida, tudo funcionou. Vieram menos pessoas do que o previsto mas nem por isso deixaram de comer como padres (não sei a razão dessa "fama"). Na correria, só tive atenção para fotografar o pudim de 4 latas.
| Misericórdia! Come-se de joelhos. |
| Há quase 30 anos também servindo sopa. |
Contamos um pouco de história, como fui parar no Piauí, o encontro amazônico e outras questões de caráter inter-religioso. Definitivamente a pegada antropológica do Padre Alexandre nos faz enxergar dimensões que em alguns momentos chegam a ser desconcertantes de tão lúcidas. Fomos convidados para o almoço no dia seguinte, ocasião em que presumo mais conversas boas.
| Muita cana; ao fundo: Maranhão. |
| Temporal iminente. |
A visita demorou o tempo necessário para os combinados porque um forte temporal estava tomando forma e ao longo da estrada, nas partes baixas, muitas chances de alagamento. Uma preocupação extra: o Padre Alexandre é cinestésico. Fala nos tocando o tempo todo (rindo muito aqui) e enquanto dirige, muitas vezes chega a praticamente parar o carro para seguir com toda aquela eloquência. Coitados dos motoristas que seguem atrás.

Viajando nesse blog. Sempre bom ler sobre partilha.
ResponderExcluirObrigado! É quase uma terapia!
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