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Expectativa x realidade (7º dia)

7º dia - 04/04/2022

Saímos por volta de 5 h 50 min da manhã com destino a Luís Correia. Sim, o município vizinho a Parnaíba onde se localiza a pousada, numa praia oceânica, pois Parnaíba está mais voltada para o rio. Essa não seria a única expectativa diferente da realidade. Teremos uma longa série hoje.


Passado o trâmite inicial de sair da área urbana rumamos pela BR-343 passando por Altos, Campo Maior, Piripiri, Piracuruca, Buriti dos Lopes e outros lugares menores ao longo do caminho.


Muitas plantações de carnaúba.

Incontáveis trechos de grandes retas na BR-343.


A viagem, com tempo previsto para um máximo de 5 horas, durou um pouco mais de 6 horas. Sem a menor possibilidade de cochilo: muita conversa. Na verdade nem sentimos todo esse tempo embora pudéssemos ter chegado um pouquinho antes. Tive lições sobre muitas coisas como já era de se esperar. Como a cera de carnaúba substituiu o óleo de baleia na iluminação pública na Europa, como os descendentes das vítimas da guerra de Canudos até hoje têm medo de comentar o fato, as diferenças culturais no acolhimento do nordestino que vive no Pará e aquele que vive no Ceará, mais sobre o xadrez que envolve a vida eclesial nem sei mais quantos assuntos discutimos. O Padre Alexandre também falou bastante sobre o seu contexto familiar, desde a infância até os dias atuais, passando pela sua ascendência indígena do povo Anacé.

Deixamos para visitar Parnaíba no dia seguinte e assim que chegamos paramos para almoçar. O centro de Luís Correia não é muito extenso, tem uma rua principal onde se concentra o comércio mais diversificado e, por se tratar de uma região aparentemente com uma vocação veranista, não vimos muitas opções para o almoço: segunda-feira, fora de temporada e clima chuvoso. Eu só não imaginava que choveria tanto. Comemos um prato feito e nos dirigimos para o hotel Finesse localizado na praia do Coqueiro. Sugiro que pesquisem no link. O local é composto por vários prédios que foram construídos pelo governo do estadual e foram ocupados por associações de classe, colônias de férias e o hotel onde nos encontramos. Há uma parte dos prédios abandonada, outra me reforma e, para quem chega, parece que estamos entrando num cenário do pós guerra com edificações semidestruídas. O dono do hotel é realmente heróico pois consegue manter, no meio desse caos, uma estrutura limpa e organizada obrigando-se a um convívio comum na área de lazer constituída pela piscina e arredores. Ele teve que ser um artista para conseguir fotos em ângulos onde não aparecesse o cenário depreciado ao redor. O chuveiro... era obviamente frio. Eu realmente não aguento isso.


Vista da varanda do quarto.

Aproveitamos um pouco a piscina porque ameaçava chuva e não quisemos arriscar um mergulho na praia. E choveu. E como choveu. Fortes pancadas em vários momentos. Entre um dilúvio e outro, aproveitamos para ir ao mercado comprar água, alguns insumos e tentar tomar um café. Que coisa difícil tomar um café nessas bandas. Conseguimos numa padaria um resquício que havia sido feito por volta das duas da tarde (já estava anoitecendo). Voltamos para o hotel onde havia também uma família hospedada e só. Sempre lembro de O iluminado num contexto desses. Ao menos os corredores são abertos e se confundem com enormes varandas.


Aguardando a chuva diminuir para tentarmos fazer um lanche na cidade.


Após uma diminuição daquela chuva torrencial nos dirigimos ao centro e enquanto procurávamos um local para lanchar (não haviam muitos) avistamos a família acomodada numa passaria que nos pareceu bem razoável. Estacionamos, cumprimentamos os vizinhos (110% dos hóspedes na pizzaria) e fizemos o nosso pedido. A pizza realmente estava magnífica (Super Pizza do Litoral) e tivemos que esperar mais uma ruma de tempo para ir embora porque caiu foi água.


Mais dilúvio.


Na primeira chance, voltamos rapidamente para o hotel que fica a menos de 2 km dali e logo em seguida caiu outro temporal. O plano para a terça-feira é tentar ao menos molhar os pés na água do mar logo pela manhã. Pretendemos almoçar em Parnaíba, visitar o delta e alguns pontos interessantes na cidade que o Padre Alexandre comentou.


Protegidos da chuva, a conversa multicultural rendeu até quase meia-noite. A previsão para a terça é de chuva o dia inteiro e, não fossem as conversas, aprendizagens e reflexões, eu estaria me sentido o protagonista do "Férias frustradas 22". Nada de expectativas para a terça: melhor assim.




Comentários

  1. As fotos estão lindas! Como é bom ver a estrada, a minha sensação é de liberdade! Inesqueciveis essas experiências meu amigo. Bjs Ana

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