6º dia - 03/04/2022
Início de mês e a agenda de missas ainda sendo assimilada: o Padre Alexandre fez uma pequena confusão e saiu em disparada por conta de um horário perdido. O padre Erlan saiu ao mesmo tempo e eu nem consegui achar o pó de café.
Depois de vencer os cadeados segui em busca de uma padaria que servisse café. Em lugares mais afastados das regiões centrais, tal como o bairro aqui, existem pontos de venda de pão e outros acompanhamentos mas não constituem necessariamente uma padaria tal como conhecemos. Isso acontece também no interior da Amazônia.
Desde ontem na Praça do Santa Maria, a poucos metros da casa, estava acontecendo o projeto Ação Social acompanhando de grande movimento, shows e barraquinhas.
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| A voz da moça era tão potente e vigorosa que cheguei a pensar que fosse playback. |
Barraquinhas... ahhh o pastel visto (leia-se farejado) de longe. Não quero saber de café com pão de jeito nenhum. Não tinha garapa mas os sucos eram típicos e variados, da fruta! A senhora que me atendeu disse orgulhosamente que estava ali há mais de 20 anos e que ajudou a criar os filhos com aquele trabalho. Atualmente, muito cansada, vem apenas de sexta à domingo ou quando tem algum evento. Descobri também, entre os salgadinhos, que bomba aqui é salgada. Pastel, suco de maracujá e um cafezinho só para "dar média 5,0" fizeram a minha felicidade neste início de dia. Claro que havia caldo também, uma sopa robusta servida tradicionalmente nos cafés da manhã daqui. Voltei em paz para tentar adiantar o trabalhinho pendente enquanto não fosse convocado para o passeio de domingo.
Eram 11 horas da manhã quando Rosália e sua irmã Elisângela me resgataram para nossa empreitada. O calor estava particularmente forte e de cozinhar os miolos. Chegamos na área de acesso ao elevador da ponte que também funciona como espaço para eventos e área verde. Acontecia um encontro de motociclistas, carros antigos, show de rock e food truck.
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| A ponte realmente impressiona. |
Por uma módica quantia de 4 reais (2 reais a meia) foi possível adquirir o ingresso para a subida. Ia surgindo aquela vista exuberante num dia típico de inverno piauiense: quente pra cacete. Tal como na Amazônia, aqui tem calor com chuva (agora) e calor sem chuva (pelo meio do ano em diante). Falo sem pudores que a subida me deu um pouco de vertigem.
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| Quase no topo. |
No final, o presente é uma vista de 360° e que nos permite contemplar uma geografia única, plana. Nós do sudeste estamos acostumados a muitos relevos e um alcance como esse não está no nosso cotidiano. Há painéis explicativos indicando pontos importantes e que circundam toda a paisagem.
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| Região mais central de Teresina. |
A terra vermelha parece favorecer a confecção de tijolos e telhas de qualidade em algumas olarias que pude observar. Há lindos filtros de barro para água no mercado de artesanato. Descemos depois de uns 10 ou 15 minutos e transitamos pelo evento que acontecia ao pé da ponte. Me aproximei do grupo musical que tocava uma versão de Even Flow do Pearl Jam mas, no final, não estava muito convincente.
Partimos para o encontro das águas dos rios Poty e Parnaíba. Estacionamos a uns 300 metros e sob o castigo do sol e a esperança de que encontraríamos um lugar para almoçar (o flutuante) nos arrastamos até a área de observação onde as copas de árvores frondosas contribuíam para um micro clima aceitável. Logo na entrada, uma escultura indecifrável para mim mas que foi descrita pela Elisângela: ela retratava a lenda do
Cabeça de Cuia que faz parte do folclore piauiense.
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| Cabeça de Cuia |
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| O rio Poty vindo da direita encontra o Parnaíba. |
O tal flutuante que agora é fixo estava coalhado de gente. Era previsível num domingo de sol. Resolvemos então partir para outro canto, o Pesqueirinho que ficava próximo ao subirmos a margem esquerda do rio Poty. Lotado também e não me pareceram muito organizados com aquela logística de lista de espera. Consegui ao menos uma foto de longe do encontro das águas.
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| Foto da varanda do Pesqueirinho: ao fundo e bem pequeno, o flutuante. |
A essa altura a peregrinação por um prato de comida nos trouxe de volta ao bairro Codipi e felizmente encontramos um restaurante self-service quase em fim de festa. Havia a opção de almoço em shopping mas ái não teria graça. Cada parada, entrada e saída do carro, nos cozinhava lentamente. Depois do almoço fui deixado em casa e tomado pela mais profunda leseira, apaguei: efeito do calor.
Por volta das 4 da tarde retomei uns trabalhos. Mais tarde e bem ao entardecer me coloquei obstinadamente numa caminhada até a melhor padaria do bairro para tomar um café bem forte: estilo cospe grosso. As ruas principais ficam basicamente alinhadas com a
eclíptica de modo que caminhar por essas ruas é certeza de sol abundante.
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| Fim de tarde: no dia seguinte o sol se colocará no extremo oposto da rua. |
As ruas secundárias, em sua maioria, têm um calçamento com pedras, semelhante a Ouro Preto ou Parati, porém, num tom avermelhado que desconheço mas que causam os mesmos desequilíbrios para os não acostumados. Chegando na padaria, 1400 metros depois, recebi a notícia de que havia café, feito de manhã. Que decepção! Saí frustrado, parei, voltei e tentei uma alternativa: sorvete! Afinal estava um calor insuportável mesmo naquela hora, o que não impedia alguns clientes de pediram sopa.
De volta encontrei o Padre Alexandre e a Marta que já se preparava para retornar a Fortaleza-CE. Estavam de saída para a rodoviária. Fiquei em casa trabalhando, preparei um pão com ovo e no retorno do padre, combinamos acordar às 5 da manhã para sairmos bem cedo pois estou presumindo que será uma das viagens mais longas da minha vida. Oremos!
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