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Barrado no IFPI, almoço em Teresina e cafezinho no Maranhão (10º dia)

10º dia - 07/04/2022

Finalmente consegui acordar depois das 4 da manhã. Atualização das escritas, movimentação na casa porque o Padre Erlan estava de saída para visitar a mãe em Piripiri e hoje fiz o café. O plano estava mantido e seguiríamos, eu e o Padre Alexandre, ao centro de Teresina para que finalmente eu pudesse ter uma noção de como era a configuração da capital naquela região.


Saímos logo depois do café no sentido centro. Passamos rapidamente na paróquia porque eu precisava combinar uma carona para a rodoviária no domingo e a Rosália ia me dar uma força porque os padres estariam envolvidos com as missas e demais afazeres. Dali, seguimos margeando o Rio Poty. Na avenida que o acompanha avistamos placas sobre travessia de animais que advertem e assustam ao mesmo tempo. Se estão ali, devem fazer sentido. Que tal se deparar com um jacaré no meio da caminhada matinal? 


Placas de sinalização que encontramos no caminho ao longo do rio.


Ao chegar, me dei conta que todos aqueles prédios que podemos avistar de diferentes pontos da cidade, estão, na verdade, na zona leste da cidade. A região central é bem diferente daqueles lugares nervosos que estamos acostumados a ver em grandes metrópoles. O centro de Teresina conserva uma atmosfera bem interiorana, no melhor sentido, há planejamento na geometria das ruas, não possui prédios altos, tem muitas casas e um comércio bem aquecido. Aquecido também estava o clima: que calor!


Depois de estacionar o carro na rua 13 de Maio, ao lado da Praça Pedro II (com esses nomes me sinto em Petrópolis), fomos até a Central de Artesanato Mestre Dezinho onde foi possível ter uma noção do comércio mais ligado ao cultural. Lá também funciona escola de balé e pelo que percebi, tem outras atividade. Ali bem perto fica o palácio do governo estadual, a residência do bispo, a catedral metropolitana e, o Instituto Federal do Piauí (IFPI), instituição irmã do Cefet onde trabalho e tudo mais. Quase 11 da manhã e o sol parecia ser exclusivo para cada pessoa. Me animei em me identificar como professor e que gostaria de visitar o local. Estavam em ritmo aparentemente normal de ensino presencial, guardadas as restrições ainda necessárias. Fui barrado porque estava de bermuda.


O IFPI com seu sol exclusivo.


Só farei um comentário hiperbólico sobre este episódio uma vez que a "providência" enviou um sinal enquanto o vigilante e uma gentil funcionária dialogavam comigo: uma jovem senhora deixava o prédio usando um vestido colante cuja bainha possivelmente subiria alguns palmos acima de seu umbigo se ela respirasse profundamente mas, isso não vem ao caso.


A cidade tem realmente muitas praças e dali descemos no sentido do rio Parnaíba porque havia a possibilidade de atravessarmos para o Maranhão numa balsa. Sim, eu disse Maranhão: basta atravessar o rio. Detalhe: começamos margeando o rio Poty e ao longo da via passamos pelo encontro das águas e por isso temos agora o outro rio. No caminho entramos na Matriz de Nossa Senhora do Amparo que está em reforma há alguns anos (obra de igreja) e lá encontramos o Padre José de Pinho que nos recebeu e explicou de forma entusiasmada toda aquela empreitada. Eu, como sempre e desde a época com as religiosas na Amazônia, apresentado como missionário. Mais cedo lá na paróquia, também fui apresentado como missionário para duas senhoras que logo me ofereceram abrigo. O Padre Alexandre se diverte com isso e não perde a chance de me mangar.


Marco Zero que não é zero e os padres ao fundo.


Na calçada frontal da igreja, que fica na Praça da Bandeira, há um marco como se fosse o início de Teresina, no entanto, a cidade foi deslocada para aquela área e ostenta a posição de primeira capital planejada do Brasil.
Praça da Bandeira com as torres da igreja ao fundo.

Nos despedimos e a poucos metros dali fomos ao Museu do Piauí onde pudemos, por 5 reais o ingresso, ter uma visita guiada. O museu não é muito grande mas conta com grande riqueza histórica. Eu não tinha intenção de fotografar mas algumas cenas me chamaram atenção: acesse as fotos aqui (aplicando o zoom talvez seja possível ler algumas legendas). Cada sala se combina com a seguinte de maneira mais ou menos cronológica fazendo uma linha do tempo que abrange vários períodos desde o pré-histórico.

Já passava do meio-dia e resolvemos almoçar ali perto, num local indicado pelo Padre José de Pinho: self-service e ar condicionado! Além disso, não foi necessário lutar alguns rounds de UFC com as moscas que são abundantes e quase agressivas, tão comuns em lugares quentes, abertos e que têm comida.

Achamos melhor pegar o carro e atravessar para o Maranhão protegidos do sol porque realmente não havia a menor condição de prosseguir a pé ou de barco naquelas condições de calor. No caminho, comprei um doce de buriti numa versão que lembra a goiabada. Indescritível o sabor. Sequência de fotos da travessia:

Há um shopping do outro lado onde conseguimos tomar um café fresco enquanto o padre antropólogo dialogava com a atendente sobre as comunidades ribeirinhas naquela margem do rio. Ela se prontificou a ver com um amigo naquele mesmo momento e saímos de lá com várias anotações para os trabalhos futuros do Padre Alexandre.


Retornamos antes do temporal que se anunciava e que caiu de forma isolada em alguns pontos da cidade. Nada mais a fazer no restante do dia a não ser recuperar o fôlego tomado pelo calor. Aproveitei para colocar algumas coisas em dia, ler (muitas e muitas referências e dicas do Padre Alexandre) e finalizei a noite assistindo um filme argentino (adoro por sinal), Granizo, com Guillermo Francella. Imperdível!!!




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