"Trocou Berlim pelo Piauí" (2º dia)
2º dia - 30/03/2022
O fato de eu não ter viajado para a Alemanha, como era a intenção inicial neste período, vem rendendo boas anedotas por aqui. A frase recorrente do Padre Alexandre em quase todos os ambientes em que sou apresentado: "Esse jacaré(*) aí deixou de ir pra Berlim visitar o filho para vir pro Piauí!" Já perdi a conta de quantas vezes ouvi as gargalhadas dele ao contar este episódio.
(*) jacaré, abestado e afins: expressões que ele usa com frequência.
| Eu e o meu amigo Padre e Antropólogo, Alexandre Fonseca. |
Como de costume, acordado desde a madrugada, tratei de iniciar a conclusão de um trabalho pendente e que me ocuparia por todo o dia. Estava obstinado a terminar para que realmente pudesse ficar inteiro e disponível para as possibilidades proporcionadas pela viagem.
Janaína chegou cedo e antes que os padres levantassem, já tínhamos o cheiro de café invadindo os cômodos da casa. Os padres fizeram suas orações matinais e logo me chamaram para a mesa. Um longo café da manhã regado de conversatórios. A cozinha fica separada da copa por um balcão de modo que Janaína também participa de nossas conversas. Cada qual com o seu olhar, comentando fatos cotidianos e experiências vividas em diferentes contextos. A seguir, cada qual seguiu para seus afazeres e eu mergulhei no meu trabalho pendente.
Eu não consigo ficar um dia inteiro sentado e concentrado dando conta de trabalho diante do computador. Depois desse persistente e longo período de trabalho remoto, menos ainda. Intercalando momentos de trabalho com procrastinação (no meu caso, quase crônica), fiz algumas pesquisas sobre os arredores, meios de transporte para Nova Russas-CE entre outras curiosidades que para mim são relevantes como instituições de ensino. Nova Russas-CE é o local no sertão cearense para onde irão algumas das Irmãs Trinitárias (aquelas que também me acolheram na Amazônia) a partir do dia 10 de abril. Lá iniciarão uma nova missão e eu gostaria muito de estar presente para recebê-las e conhecer o local.
No meio da tarde também tive a chance de uma boa e longa conversa por vídeo chamada com o meu filho Munir. Não havia “pauta”. Era apenas uma conversa de afetos e atualização. Nova vida, novo país e projetos. Aproveitei para retomar o projeto Berlim para o segundo semestre, ou, quem sabe, trocar por Quixeramobim. Também apresentei a Janaína para o Munir uma vez que no dia anterior o filho mais velho dela, o Antony, havia estado aqui pela casa. Para equilibrar, uma rápida ligação para a minha ocupadíssima filha, a Mila!
No dia seguinte haveria um encontro dos padres locais e fui designado a ajudar na cozinha para o almoço que provavelmente atenderia a 11 pessoas. No final da tarde fui às compras com o Padre Alexandre seguindo a lista feita pela Janaína: feijoada como prato principal e pudim de leite condensado como sobremesa. Para beber, além de refrigerantes, uma iguaria considerada Patrimônio Cultural no Piauí: cajuína.
Não só adoro ir à feira e mercado como acho imprescindível frequentá-los todas as vezes que conheço algum lugar: são lugares que nos revelam muitas coisas que não encontraremos em pontos turísticos convencionais, salvo quando esses locais se tornam ícones de visitação obrigatória como é o Mercado Municipal de São Paulo.
| As chuvas são fortes e diárias. |
Compras feitas na correria pois o Padre Alexandre precisaria celebrar missa às 19 horas. Em seguida haveria um jantar na casa de uma das frequentadoras da igreja. Compras desembarcadas e eu abri mão de acompanhar o amigo pois estava no finalzinho do trabalho e realmente gostaria de terminar tudo. Ele seguiu e a água caiu do céu. Muitos relâmpagos, trovões e chuva, muita chuva. A área aqui é repleta de zonas de alagamento e embora estivesse perto não pude ser resgatado para o jantar. A chuva ia e vinha e assim ficou até de manhã. Me virei com um sanduíche, mesmo tendo recebido a cortesia de uma marmita bem generosa no retorno do Padre Alexandre. O Padre Erlan já estava de volta e o dia para mim teve o real significado de começo de férias.
Lembrei-me do minimalismo vivido o qual você nos mostrou em vídeo. Os livros na estante, a cama e a cortina...
ResponderExcluirA liberdade do não ter...
ExcluirMeu amigo Rogério, está ficando bom em viagens! Deus os abençõe! Aproveite! Se cuide tá? Bjs
ResponderExcluirAgradeço o afeto apesar da mensagem anônima!
ExcluirSenti o cheirinho do café e o cheiro da chuva no campo. De fato frequentar mercados nos ensina muito sobre a região, nunca havia pensado nisso. De repente me veio a mente o umbú da Bahia, minha terra. Esse fruto não é encontrado no Rio de Janeiro. Conte-nos sobre suas descobertas. Bjs Ana Lu
ResponderExcluirHoje foi dia de comer uma outra versão do doce de buriti, tipo goiabada... um escândalo.
ExcluirHoje foi dia de comer uma outra versão do doce de buriti, tipo goiabada... um escândalo.
ExcluirHoje foi dia de comer uma outra versão do doce de buriti, tipo goiabada... um escândalo.
ExcluirAo ler fui me adentrando na história viva e posso dizer que gosto de Nova Russas. Obrigada por compartilhar esse belíssimo relato.
ResponderExcluirQue bom que pude partilhar um pouco desse sentir!
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